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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Mas só vão os do lado de cá ?!?!

Que semaninhas, hein?!?

Depois da tragédia do Mineiraço, a cultura e a arte brasileira tá tomando outra goleada. Em poucos dias, foram João Ubaldo, Rubem Alves e, hoje, Ariano Suassuna!
Mas é só contra nós? Só vão os do lado de cá?!? E isso que o agostinho nem chegou ainda!!!
Estamos de luto!
Enquanto isso, os Ricardos Teixeiras de vida continuam numa boa, gastando os seus milhões, obtidos se sabe como. 
Vamos ter que fazer umas rezas brabas, para ver se a coisa muda um pouco... Vixe!


sábado, 19 de julho de 2014

A TV da CBF... da CBF??? Ou: as estranhas relações tucanas de José Serra na CBF

O site Viomundo (http://www.viomundo.com.br/) costuma mostrar o que a mídia não mostra ou mostra de modo a ninguém entender...
Um dos colunistas, o jornalista Lúcio de Castro, traz detalhes da empresa privada (sim, privada) CBF TV, que teve total liberdade de acesso à seleção brasileiro e cujos sócios tem estranhos parentescos com membros da CBF e do PSDB paulista.
Vale a pena ler a matéria:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/lucio-de-castro.html

terça-feira, 15 de julho de 2014

Motrivivência 42 no ar !

Com muita satisfação, informamos aos amigos, leitores, autores e colaboradores da revista Motrivivência que acaba de ser publicado o v.26, n.42, jun/2014 (https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/issue/view/2131).
Nessa edição, a seção temática, sobre políticas públicas de esporte e lazer, foi produzida por demanda induzida em parceria com o GTT Políticas Públicas/CBCE. Nas seções de Artigos e Porta Aberta, textos sobre vários temas da Educação Física mostram a diversidade desse campo de conhecimento.
No editorial, informamos sobre várias mudanças que estão acontecendo na gestão e na editoração da revista, como sua passagem em definitivo para o LaboMidia, a aprovação "com restrições" no indexador LILACS/Bireme, a decisão de, a partir de 2015, adotar periodicidade quadrimestral, entre outras.
Boa leitura a todos/as, gratos aos amigos que continuam ajudando a fazer a nossa Motrivivência.
Abraços!

sábado, 12 de julho de 2014

Luto na Mídia Esportiva e nas Ciências do Esporte

Faleceu na noite desta sexta-feira (11/7), em São Paulo, o comentarista e médico Osmar de Oliveira, conhecido como Doutor Osmar, da equipe esportiva da Band. É outra perda significativa para o jornalismo esportivo, justamente num ano de Copa do Mundo no país, depois das mortes de Luciano do Valle, também da Band, e de Mauricio Torres, da Record, há poucos meses.
Conhecido por seu "corinthianismo", foi um dos primeiros (e poucos) jornalistas da TV esportiva brasileira a assumir claramente seu lado torcedor, sem com isso prejudicar a qualidade das suas análises, num oceano de mediocridades e senso-comum que assistimos todo o dia.
A comunidade das Ciências do Esporte também perde, com este falecimento, um dos mais antigos dirigentes do CBCE. O doutor Osmar foi membro das três primeiras diretorias do Colégio, de 79 a 85, tendo sido o seu presidente de 83 a 85.

http://esporte.band.uol.com.br/gente/noticia/100000694877/amigos-e-familiares-se-despedem-de-dr-osmar.html#foto1

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Futebol e Sujeira !

Acabo de ler dois livros sobre futebol, que se diferenciam muito da série de "novidades" lançadas recentemente, aproveitando o clima da Copa do Mundo.
Além da cor e da linha de construção da capa (ver abaixo), da palavra Sujo no título e do prefácio do deputado Romário, os dois livros tem em comum o tema: as falcatruas da dupla Havelange/Ricardo Teixeira no mundo do crime, isto é, do futebol, na CBF e na FIFA.
O primeiro (O Lado Sujo do Futebol) é fruto de investigações de repórteres brasileiros bastante (re)conhecidos, liderados por Amaury Ribeiro Jr (A Privataria Tucana). Com farta documentação, mostram as sociedades de fachada, as parcerias (inclusive com Sandro Rossel, ex-diretor da Nike e ex-presidente do Barcelona), os laranjas, as propinas e outras formas pelas quais Ricardo Teixeira, ex-genro e discípulo de Havelange, tornou-se milionário graças ao futebol e continua ganhando muito dinheiro da CBF, mesmo tendo se afastado dela e vivendo uma vida reclusa em Boca Raton/EUA.
O outro é do conhecido Andrew Jenning, jornalista do País de Gales que foi coautor de os Senhores do Anéis e autor de Jogo Sujo. Percorre as trajetórias dos problemas que Havelange/Teixeira e a FIFA tiveram com a justiça Suíça, por causa da quebra da ISL, que deu como propina o dinheiro que havia recebido antecipadamente da Globo, pelas Copas de 2002 e 2006.
Ambos se completam e servem de referência um ao outro. São leituras muitos importantes, obrigatórias para quem quer tentar compreender porque o futebol brasileiro está sempre em dívida (com jogadores, com fornecedores, com o governo) mas seus dirigentes estão cada vez mais ricos. Valeu a pena!



Livro novo on-line: As Olimpíadas e as Paraolimpíadas de 2012 na mídia sergipana


Colegas do Blog,
é com grande satisfação que informamos a finalização e o lançamento do livro "As Olimpíadas e as Paraolimpíadas de 2012 na mídia sergipana". O livro está disponível para download, capítulo por capítulo, no link abaixo da imagem da capa.
Organizado por Cristiano Mezzaroba, Sérgio Dorenski, Fabio Zoboli e André Qaranta, e com toda participação dos integrantes do LaboMídia/UFS, a obra é resultado de pesquisa que iniciou-se em 2011 e foi finalizada em 2013, observando e analisando a mídia sergipana - televisiva, impressa e digital - quanto ao agendamento realizado em torno as Olimpíadas/Paraolimpíadas de Londres em 2012, bem como a relação dialética global-local. Também consta um estudo de recepção com professores de Educação Física de Sergipe e um texto sobre Pistórius e a questão da inclusão/corpo/tecnologia. O livro foi prefaciado pelo colega da UFS, Prof. Dr. Hamilcar Dantas Junior e os marcadores de página contam com um pequeno texto de nosso colega, agora na UFSJ, Diego Mendes (por falha na impressão, era para ter sido colocado como a "orelha" do livro).
Assim, cumprimos nosso compromisso, tanto internamente, com a UFS, tanto externamente, com a sociedade brasileira, sendo pesquisa produzida em instituição pública que tem como uma de suas bases a pesquisa acadêmica, vinculada ao ensino e à extensão.

Esperamos a leitura dos/as colegas e a partir de agora aguardamos as críticas e o debate, sempre necessário.

Parabéns a todo grupo pela obra!


Disponível em:
http://www.labomidia.ufsc.br/index.php/acesso-aberto/livros-pesquisas-coletivas/londres-2012-na-midia-sergipana/cat_view/2-livros-pesquisas-coletivas/78-londres-2012-na-midia-sergipana?limit=5&order=name&dir=ASC&limitstart=0

terça-feira, 1 de julho de 2014

“Diálogos Sobre Esporte e Mídia”


Olá pessoas, segue mais um texto produzido pelos alunos da disciplina Educação Física, Esporte e Mídia. Fiquem a vontade para críticas, sugestões e diálogos...


“Diálogos Sobre Esporte e Mídia”
Ana Luíza S. Nascimento
Valéria S. Chaves

No exercício de historização do esporte percebemos que ele surge com a Revolução Industrial – nasce com as características da modernidade - e os praticantes eram os filhos de burgueses, a partir daí, já podemos perceber que há uma elitização de sua prática e que desde este período até os dias de hoje a ideia de sociabilização, através dele, é uma falácia: esporte para todos? Com o passar do tempo surge os amadores e profissionais do esporte o que vai levar a competição e a criação de mais regras para atender outros fins como o da mercadorização e da espetacularização do esporte. Nesta perspectiva é que questionamos a importância do esporte: esporte é saúde ou economia, ou seja, fonte de renda..., é mercadoria?
O esporte moderno é tido como práticas corporais importantes para a saúde de qualquer indivíduo. Quando ligado à educação, esse é o conceito mais utilizado porque está relacionado à qualidade de vida, mas, quando percebemos a relação dele com a mídia a ideia muda, o conceito de ser importante para a saúde é escondido e o que vai prevalecer é a sua mercadorização, ou seja, tornar o esporte um produto para ser comercializado.
         Um exemplo da mercadorização pode ser visto nos atletas, principalmente do futebol (no caso do Brasil) que viram “mercadorias” no mercado esportivo. Além do valor adquirido pela compra e venda de jogadores, outra fonte rentável é quando se estabelece laços com a mídia, ou seja, a transmissão do esporte, como é visto no futebol, basquetebol, vôlei, entre outros, em que redes de televisão comercial, como a Rede Globo, assumem o monopólio nas transmissões das partidas, apenas com um único objetivo, que é a apropriação para obtenção de lucro.  
Mas a ideia de esporte como saúde não foi completamente escondida, por esse motivo, há uma preocupação na maioria das escolas de se praticar esporte na disciplina Educação Física. Foi visto em documentários que alunos que praticam esportes são mais responsáveis e disciplinados e isso é refletido na convivência familiar. Ainda, esta questão de disciplina, pode se abranger para outras áreas, como dentro de uma empresa, na qual os melhores funcionários são os mais disciplinados. Estas correlações exemplificam a perspectiva da funcionalização do esporte (conforme o alertou o Professor Giovani De Lorenzi Pires no texto “Breve Introdução ao Estudo dos Processos de Apropriação Social do Fenômeno Esporte” (REVISTA DA EDUCAÇÃO FÍSICA/UEM 9(1):25-34, 1998), no entanto, esconde as contradições da própria sociedade como: a falta de empregos; a má distribuição de renda; a miséria; a fome etc.,
Outra relação do esporte com a mídia pode ser percebida em uma reportagem recente, na qual um torcedor atira uma banana para o jogador Daniel Alves. A ideia é que se fosse com qualquer outro indivíduo que não tem interesse para a mídia, nem sairia em uma reportagem sobre preconceito, mas como “mexeu” com o futebol, com um jogador muito conhecido, seria uma ofensa ao próprio jogador ou ao próprio time se essa notícia não fosse transmitida. Ou seja, a notícia também virou uma mercadoria na relação com o esporte.  
           Portanto, trouxemos reflexões que, para nós agora, aparecem mais nítidas e que muitas vezes ficaram despercebidas. Enfim, a importância maior está no fato de se aprender a interpretar a mídia, de ler uma notícia com “outros olhos”.

JORNAL LABOMÍDIA Nº 22

Olá pessoal, bom dia.

Já está on line o nº 22 do Jornal LaboMídia.

Neste número temos algumas reflexões sobre os estádios da Copa do Mundo FIFA/2014; divulgação do livro "o contexto do futebol no mundo: do senso comum à crítica pedagógica"; congressos que estão por vir no âmbito da Educação Física e áreas afins; nota sobre o documentário "o menino que não queria nascer"; e uma nota sobre a polêmica envolvendo o atacante uruguaio Luis Suaréz.

Segue o link: http://www.labomidia.ufsc.br/Jornal/info22.pdf

Boa leitura e um grande abraço!

A40

sábado, 14 de junho de 2014

A influência da Copa do Mundo de futebol nas escolas

Olá Pessoas, dando sequencia ao que foi iniciado por Diego e Cris, estamos trazendo algumas reflexões dos alunos da Disciplina Educação Física Esporte e Mídia do DEF/UFS.
Este texto foi produzido por Brenda karoline dos Santos e Viviane M. M. Barreto...fiquem a vontade para as críticas, pitacos e comentários...
abração
Sérgio Dorenski




A influência da Copa do Mundo de futebol nas escolas
 Brenda karoline dos Santo
 Viviane M. M. Barreto

Levando em consideração o evento da Copa do Mundo de Futebol que será realizado no Brasil neste ano, 2014, refletimos sobre a influência que a mesma causa nas escolas e nas aulas de Educação Física e sobre o efeito da forma como a mídia informa sobre tal fato. Ao se aproximar da data do evento, notamos as escolas sendo arrumadas com as cores da seleção e o futebol sendo o principal assunto discutido entre os alunos e professores. Essa exaltação ao futebol é o reflexo de como a mídia transmite as informações sobre o esporte mais popular do país.
Levando em consideração também os problemas em que a realização da Copa do Mundo de Futebol acabou trazendo para o Brasil como, por exemplo, toda a corrupção e a isenção de imposto para a FIFA (realizadora do evento), o que fez com que a copa deste ano fosse a que mais garantisse lucro para a FIFA (cerca de 15 bilhões, segundo o site www.esportemaior.com.br) e a que mais custou para os cofres públicos do país sede, uma porcentagem significativa da população se mostra contra a sua realização, com o lema “Não vai ter copa”. Porém apesar de todos esses problemas, notamos que a maioria das pessoas e principalmente as crianças estão vivendo um momento de encanto ao ver um sonho se realizando por ter uma Copa do Mundo no seu país. Este fato mostra como a mídia, apesar de informar sobre o problema das manifestações, se faz presente firmemente ao tentar animar e cativar a população lembrando-a da sua grande paixão pelo esporte. Porém, todo esse trabalho está ligado a fazer os telespectadores a darem audiência nos dias dos jogos e assim, por meio de reportagens e propagandas, a Copa do Mundo de Futebol no Brasil está sendo mostrada como um evento de pura felicidade, amor ao país e à seleção e paixão pelo futebol.
A valorização do patrimônio cultural é um tema passado na maioria das escolas e, com o futebol sendo um dos nossos patrimônios não podia ser diferente. Atualmente, as crianças estão sendo colocadas a praticarem educação física desde muito cedo e um dos papeis desta disciplina (ou atividade) é justamente educar o pequeno cidadão a preservar sua cultura e ainda aproveitar o momento de lazer proposto com os jogos.
É necessário que as escolas, aproveitando o evento e as discussões sobre o futebol, organizem formas de fazer as crianças e adolescentes entenderem o verdadeiro sentido do esporte na vida da população em geral. Com o diálogo entre professores e alunos, apresentando os valores do esporte como o respeito pelo colega, a ética, a resolução de problemas por meio de conversas e a extinção do preconceito devem ser passados e entendidos para que os cidadãos e atletas do futuro tenham valores “do bem” definidos para o esporte e para a vida.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

VERISSIMO NA COPA - COMO AJUDAR A SELEÇÃO

Colegas do blog!
Texto do Luis Fernando Veríssimo publicado hoje no Zero Hora!
Boa leitura, boas reflexões...

12 de junho de 2014 | N° 17826

VERISSIMO NA COPA

  • VERISSIMO NA COPA COMO AJUDAR A SELEÇÃO

    Você não pode entrar em campo, hoje, mas pode ajudar a Seleção a derrotar a Croácia de varias maneiras. Para começar, espero que você tenha saído da cama com o pé direito. Se não saiu, volte para a cama e saia com o pé certo. Se sua escova de dentes não estava alinhada com o Marco Zero de Brasília e/ou o Cruzeiro do Sul volte lá, corrija sua posição e escove os dentes de novo. Você deveria ter prestado atenção no sabonete que usou no banho, ele poderia ter uma carga negativa que influenciaria todos os acontecimentos do dia, culminando com um gol contra do David Luiz. Se não fez isso, e não passou a manteiga no pão da esquerda para a direita cantando o hino nacional, anule as más vibrações e redima-se dando três voltas na mesa do café gritando “Mizifum, mizifum, mizifum!” Eu não sou supersticioso – inclusive porque li que superstição dá azar –, mas vou usar a mesma cueca que usei em todos os jogos da Copa das Confederações no ano passado e me recusei a lavar, apesar dos protestos da vizinhança. Em cueca que está ganhando não se mexe.

    Outra maneira de ajudar a Seleção é contatar telepaticamente o Felipão antes do jogo e instrui-lo a ignorar toda essa discussão sobre quatro-três- três, três-cinco-dois, quatro-quatro-dois e entrar com quatro-quatro-quatro. Isso dá 12, eu sei, mas até o juiz se dar conta que tem jogador demais em campo nós já teríamos marcado três.

    Reze. Deus é neutro, certo, ou no mínimo desinteressado, mas tente convencê-lo da importância de uma vitória do Brasil neste momento tão difícil da nacionalidade, cite as estatísticas sobre a religiosidade do nosso povo e a Sua popularidade entre nós (e alguns números da nossa economia para comovê-Lo) e apele para o “fair play” divino, lembrando-O que uma vitória da Croácia significaria pouco para o seu povo, alguns vivas na rua, alguns brindes a mais com cerveja e só, enquanto que para nós a derrota significaria o abismo. E, se nada mais der certo, ofereça algum por fora.

    Acima de tudo, mantenha a calma. Se tiver que roer as unhas, roa as suas e não avance nas do vizinho. Lembre-se que, no curso natural das coisas, uma vitória do Brasil é inevitável. E não retruque, perguntando quando é que as coisas tem seguido seu curso natural, ultimamente.


sábado, 31 de maio de 2014

Cláudia Laitano (Zero Hora) - Que bonito é

Colegas do blog,
compartilho aqui um pequeno e interessante texto da cronista do Zero Hora, Cláudia Laitano, já que estamos às vésperas da Copa do Mundo... a "nossa" Copa!
boa leitura e boas reflexões!

QUE BONITO É - Cláudia Laitano (31 de maio de 2014)

Dois argumentos a favor da paixão pelo futebol sempre comoveram este mole coração ateu. O primeiro é aquele da memória de infância, do guri levado pela primeira vez ao estádio pelo pai e que aprende a associar a paixão pelo clube àquela experiência original de afeto e inserção familiar. O segundo é o da utopia de um repertório afetivo comum a ricos e pobres, intelectuais e analfabetos, jovens e velhos. O futebol como um Google Tradutor instantâneo de afinidades esteja você na Ucrânia, na África ou no interior do Ceará, seja você operário ou patrão. Que bonito é.

É possível que o futebol como legado de pais para filhos nunca tenha sido tão importante quanto nos dias de hoje. São escassos os patrimônios simbólicos suficientemente estáveis a ponto de criarem a percepção de que podem sobreviver de uma geração para a outra. Valores morais, convicções políticas ou religiosas e tradições familiares tornaram-se fluidas e cambiantes. O time de coração, por sua vez, ainda sugere permanência, passagem de bastão, afirmação de identidade. Não é de se espantar que os pais se apressem a pendurar a camiseta do clube na porta do quarto da maternidade. Não haveria muitos outros símbolos para exibir ali com tanta convicção.

A fantasia de que a paixão pelo futebol permanece acima da divisão de classes, por sua vez, anda cada vez mais difícil de ser sustentada no mundo real das arenas padrão Fifa. Em sua palestra no Fronteiras do Pensamento na última segunda-feira, o americano Michael Sandel, professor de ética em Harvard, lembrou o tempo em que a diferença de preços dos ingressos nos estádios de beisebol não passava de US$ 3. O patrão e o empregado sentavam lado a lado, enfrentavam a mesma fila nos banheiros e comiam o mesmo cachorro-quente gordurento. Nos últimos 30 anos, observa Sandel, lá como aqui, os estádios passaram a reproduzir a lógica do apartheid social de escolas, shoppings, hospitais, parques. Ricos para um lado, pobres (se chegarem lá) para o outro. A falta de espaços de convivência entre pessoas de diferentes origens e perfis, sustenta o filósofo, estaria corroendo um dos fundamentos da democracia: a percepção de que, mesmo que alguns cheguem ao estádio de ônibus e outros de carro importado, todos fazem parte da mesma torcida/nação – e se reconhecem uns aos outros.

É possível que a divisão dos brasileiros em relação a esta histórica Copa do Mundo, embretados entre a paixão nacional e a indignação com tudo o que não dá certo no país, esteja refletindo não apenas a crise de um sistema que favorece a descrença na representação política, mas também, em alguma medida, a nostalgia dos tempos em que o estádio de futebol era o último espaço onde ainda era possível sonhar com um país um pouco menos desigual e cindido.

Que bonito era.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

domingo, 18 de maio de 2014

VI SEMINÁRIO DE EXTENSÃO - Cinema, Corpo e Copa do Mundo


Colegas do blog,
aproveito o espaço para divulgar a realização do VI Seminário de Extensão - Cinema, Corpo e Copa do Mundo, a ser realizado no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Sergipe, nos dias 09, 10 e 11 de junho, com início às 14hs.
Os filmes que serão exibidos e debatidos, desta vez, são "Um time show de bola", "A bola da vez" e "Pra frente, Brasil", com discussão, respectivamente, dos professores do DEF/UFS, José Américo Santos Menezes, Sérgio Dorenski Dantas Ribeiro e Benedito Carlos Libório Caires Araújo.
Acessem o blog com todas informações, inclusive sobre as inscrições:
http://viseminariodeextensaocinema.blogspot.com.br/


sábado, 10 de maio de 2014

Um olhar ao acaso ao agendamento nada despretensioso: um dia de "Felipão" na nossa vida a partir da Globo

O texto que segue aqui é apenas um exercício de tratar no blog de algumas reflexões um tanto inevitáveis depois de acompanhar um dia vendo televisão - mais especificamente a Rede Globo - numa noite que culminou com o Globo Repórter que tratou do "nosso comandante" Felipão!
Antecipo que o texto não tem pretensões acadêmicas apesar de utilizar um conceito acadêmico, neste caso, o conceito de agendamento midiático-esportivo (já tratado por mim, empiricamente, na minha monografia, na minha dissertação e em várias outras pesquisas).

Acredito que seja parte do cotidiano de todos/as nós ver propagandas em que o protagonista que vende determinados produtos seja Luís Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira que tentará o hexacampeonato logo mais, na Copa no Brasil. Durante o dia de hoje, sexta-feira, dia 09 de maio, constatei, num simples exercício de "ver tv", várias propagandas em que ele foi a figura-chave de determinados produtos. Lembro-me aqui das propagandas da Sadia, dos anúncios de supermercados como Big e Nacional, dos carros da Pegeout. Confesso que não lembro se já havia visto um programa que se dedica a questões de informações científicas como é o Globo Repórter que abordasse uma figura esportiva, como foi o programa da noite de sexta-feira,que em síntese, dedicou-se a mostrar a trajetória de "nosso" técnico, seu jeito, seu estilo, seus gostos, sua história de vida, seus amigos, suas conquistas, sua maneira de trabalho como comandante da seleção brasileira... apenas um lado - vitorioso - de uma figura humana, o que já permite pensar no aspecto de 'mitificação' do sujeito.

Mas, lembremos, pouco mais de um mês para a Copa... tudo é válido para mobilizar as atenções e a torcida dos brasileiros e brasileiras... portanto, nada tão "neutro" assim...

Se o conceito de agendamento - agenda-setting - nos permite pensar na maneira como a mídia opera a pauta do dia, a partir não só de seus interesses, mas interligados com o próprio contexto social, cultural, político, econômico, esportivo, vemos aí um excelente exemplo de constatar a maneira explicita como somos mobilizados a acompanhar e a enquadrar certas questões em nosso cotidiano. Não bastasse a própria função de técnico da seleção brasileira de futebol, além de todos anúncios publicitários que vinculam sua imagem, Felipão passou a ter, nesses últimos dias, uma ênfase midiática talvez pouco vista/percebida/utilizada. Há nem dois dias, a divulgação dos jogadores convocados. No dia seguinte, um programa dedicado a ele.

No primeiro bloco, como tudo começou. A origem de seu trabalho no interior gaúcho, sua relação com o primeiro emprego, com a Educação Física, com a escola. No segundo bloco, de maneira muito resumida, a origem do futebol na Inglaterra (sem nenhuma explicação sócio-histórica para tal, como se fosse um surgimento ao acaso) e sua vinda para  o nosso país, onde, em pouco tempo, se tornou uma paixão, inclusive mostrando países improváveis apaixonados pelo nosso "estilo" futebolístico.  Entre um bloco e outro, propagandas do Big e do Nacional (redes de mercados), propaganda que utilizaram o verde-amarelo, como dos Correios... e também propaganda da Centauro, onde o primeiro produto veiculado foi... a camiseta da seleção brasileira.
Ainda pensando na ideia de personificação, que se liga à maneira como o agendamento constrói seu discurso no jogo de imagens, sons, texto, Neymar como o atleta que segundo Felipão fará muito sucesso nos próximos 10 anos. Seria o garoto da Copa? Desde que o Brasil vença a Copa... senão...

Um giro pelo Brasil e alguns estádios da Copa são mostrados... a grama... O Castelão em Fortaleza, o Mineirão em BH, o Beira-Rio em Porto Alegre e o Maracanã no RJ. Faz parte do agendamento, sutilmente, ir acostumando os telespectadores (público, consumidores?) aos locais onde os acontecimentos se realizarão!

E mais um bloco e volta-se ao discurso construído ainda em 2002, quando, naquele ano, a seleção brasileira, também comandada por Felipão, pouco acreditada, vence a Copa do Mundo do Japão/Coreía, no slogan da "Família Scolari", momento este em que o programa dedica-se a mostrar a relação entre os jogadores, a amizade e a proximidade entre eles.

Finaliza-se, e aí podemos pensar no simbolismo da cena - como nos alerta John Thompson - com a imagem da seleção, na última Copa das Confederações em que o Brasil venceu a favorita Espanha, jogadores perfilados, cantando o hino nacional juntamente com o público no estádio...

Não está em questão, aqui, se Felipão está certo ou não em ser garoto-propaganda...
Não está em questão ser contra ou a favor do esporte (acho que nem  há mais espaço para tal questão...)
Não está em questão gostar ou não gostar do Brasil, da "nossa seleção" (o tempo do "ame-o" ou "deixe-o" já passou, apesar que há pouco mais de um mês lembramos dos acontecimentos da ditadura e vimos que há muita gente com saudades dela...
Não está em questão ser contra ou a favor da Copa, afinal, ela está aí, ela vai acontecer...
Não está em questão considerar apenas uma mera manipulação midiática ou um público completamente passivo a tudo que está acontecendo (acredito que isso já está claro que não ocorre assim, numa relação direta, generalizada, linear...)

O que está em jogo é perceber essa movimentação que agrega mídia, esporte, política, sociedade. Entender - identificar, perceber, refletir - nas múltiplas formas que aos poucos vamos sendo tomados, como brasileiros, como torcedores, quase nunca como cidadãos, por um sentimento positivo (construído, não natural, como tentam nos fazer engolir!) de que é necessário acompanhar tudo sobre o evento, conhecer seus personagens, seus locais, suas curiosidades... e consumir produtos aos quais vinculam valores diversos, como saúde/qualidade de vida, como estilo de vida, sucesso, performance etc. A Copa logo mais estará aí, temos condições de identificar tudo isso ou cairemos, mais uma vez, nesse sentimento coletivo de abdução total ao fenômeno que a cada 4 anos, por meio do futebol, nos consome, nos agrega e nos torna um só? A que fins chegamos ao final de uma Copa, como nação, como povo? O que realmente ganhamos ao sediar uma Copa? Ao mostrarmos nosso "amor" por nosso país quando lá dentro de um estádio está em jogo uma auto-estima nacional/coletiva? É possível, será, aprender alguma coisa nesse processo todo?

terça-feira, 22 de abril de 2014

Motrivivência: indexação (com restrições) ao LILACS !

Com satisfação, informamos a todos os amigos da Motrivivência que recebemos hoje a avaliação e as recomendações para o processo de indexação ao LILACS.
Fomos uma das três revistas que, em 2013, tiveram aprovação do sistema, condição essa sujeita ao atendimento a um conjunto de recomendações feito pelo comitê assessor de avaliação de periódicos.
Temos agora que publicar dois números com incorporação dessas recomendações para que a revista seja novamente revisada e, se aprovada, finalmente indexada ao LILACS.
Essa é uma notícia importante para a continuidade e o aperfeiçoamento do nosso projeto editorial. Por isso, fazemos questão de compartilhar e agradecer a cada um/a dos/as colegas que nos apoiam e nos ajudam a construir a revista.